Uma economia da ilusão

 Agora que começaram de fato as camapanhas eleitorais  ouve-se nos discursos como um refrão, recitado ritualmente por cada candidato, não somente aqui mas em qualquer parte do mundo:"prometo crescimento econômico, distribuição de renda e  inclusão social". O acento mesmo recái sobre o crescimento econômico, pois é ele que possibilita os demais items. Nunca se pergunta pelo quanto de bens naturais podemos usar, como distribui-los equitativamente e como crescer com e não contra a natureza. Pois esse é o conteúdo real da sustentabilidade. Mas essa visão raramente aparece na retórica oficial. No máximo se proclama o proposto pelo relatório Brundland da ONU e pela Eco-92 do Rio: "um desenvolvimento sustentável". Só que hoje é sobejamente sabido que o desenvolvimento imperante levado a efeito nos moldes capitalistas é tudo menos sustentável. É ele que está criando uma economia da ilusão, pois está jogando milhões e milhões de pessoas no desemprego e na miséria, devastando a biodiversidade e ameaçando gravemente as condições físico-químicas e ecológicas que garantem o sistema da vida.

    Um documento insuspeito como o "Relatório da Avaliação Ecosistêmica do Milênio" para cuja feitura foram envolvidos milhares de cientistas, divulgado pela ONU em 2005, recionhece:"As atividades antrópicas (humanas) estão mudando fundamentalmente e, em muitos casos, de forma irreversível, a diversidade da vida no planeta Terra…As projeções e cenários indicam que estas taxas vão continuar ou se acelerar, no futuro…É improvável que os níveis atuais da biodiversidade possam ser mantidos globalmente apenas com base em considerações utilitárias". E termina com estas inquietantes perguntas:" "até quando os escossistemas do planeta suportarão a ação predatória do homem? É possível reverter esse processo de degradação ambiental e social? Qual será o nosso futuro caso sejam mantidos os atuais padrões de produção e consumo"?

    Cientistas que fazem ciência com consciência estão reagindo face ao clamor ecológico. Assim o brilhante físico Stephen Hawking em seu conhecido livro O universo numa casca de noz (2001)assevera: "O atual crescimento exponencial não pode durar para sempre. Então o que acontecerá? Uma possibilidade é nos exterminarmos completamente por algum desastre como uma guerra nuclear. Quando uma civilização atinge o nosso estágio de desenvolvimento, torna-se instável e destrói a si mesma".    

    Por que os políticos não tomam a sério tais advertências? Porque, na minha opinião, são todos reféns ingênuos do paradigma cultural dominante que segmenta, opõe e reduz a realidade perdendo completamente a visão do todo, do Planeta e da Humanidade. Cada um vê apenas seu pedaço, explora-o a mais não poder sem se dar conta de que este pedaço é parte da Terra, nossa Casa Comum, totalmente esquecida.

    Dai a tendência de muitos hoje é de falar menos em desenvolvimento sustentável e mais em Terra, ecossistemas e sociedades sustentáveis. São elas que finalmente contam. O desenvolvimento dominante tende a fazer da Terra um Titanic prestes a afundar.